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terça-feira, 7 de setembro de 2010

Louvado seja


A TV brasileira tem grandes gênios. É óbvio que tô falando dos ministros/pastores/ex-matadores que aparecem de madrugada, quando você tá bêbado de sono e às vezes de álcool também (brincadeira, mãe). Não me lembro em que canal era, nem ouvi o nome desse Ministro, mas o cara era tão prolixo quanto malandro. Ele estava justificando para os fiéis seus recentes gastos pra treinar outros pastores. Era um ótimo dramaturgo também, perceba a complexidade dos diálogos do seu monólogo (?):
- Eu não vou gastar um milhão, eu vou gastar DOIS MILHÕES!
A segunda voz:
- Mas você está louco, esse dinheiro não poderia ser gasto em outras coisas?
- Eu vou explicar.
Eu já tava extremamente interessado, mas ele passou dez minutos argumentando, só que não chegava a lugar algum. Falou que liderança era tudo, que não havia nada mais importante do que a pessoa humana (nisso, a câmera mudava pra plateia e você via várias cabeças concordando). Depois, disse:
- A maior pregação é pra mil pessoas ou pra uma pessoa só? PRA UMA PESSOA, IRMÃOS!
Eu já tava bem confuso nessa hora. Ele continuou:
- Eu invisto seis milhões na TV (ainda nem tinha explicado o porquê de dois milhões em vez de um, aí manda essa).
- Eu quero dizer aqui para as ovelhas: GLÓRIA A DEUS!
Todo mundo:
- GLÓRIA A DEUS!
Eu:
- Ovelhas? E os dois milhões?
Ele prosseguiu:
- Meu telefone tocou, eu tava falando com Deus. O cara disse que queria doar 1 milhão de reais pra igreja. Antes, ele tinha um caminhão velho, mas virou sócio de Deus e hoje tem uma frota que fornece caminhões para várias multinacionais. VIREMOS SÓCIOS DE DEUS, IRMÃOS!
- Caminhões? E os seis milhões?
Foi com essa que fui dormir. Sem saber o porquê dos oito milhões e com uma estranha vontade de virar sócio também.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Teorias de criança


Quando somos guris, costumamos criar as mais singelas teorias. Eu, por exemplo, jurava que, quando completasse 18 anos, automaticamente teria dinheiro. Não estou falando de uns trocados pra comprar um vídeo-game, não, mas de grana mesmo, suficiente pra comprar uma casa. Ainda bem que eu não parei pra pensar na maneira com que conseguiria esse dinheiro, isso poderia não ter dado muito certo. Eu era meio inconsequente também, porque pretendia comprar justo um casarão em que o filho do dono foi morto há muitos anos. Hoje, eu moro numa casa em que, segundo minha mãe, um dos antigos donos morreu. Parece que foi no quarto dela, então acho que é daí que puxei essas bravura e coragem. Aliás, eu nem precisaria morar na casa de Gasparzinho pra tomar a quantidade de sustos que minha genitora me dá, mas isso é assunto pra uma outra hora.
Uma das minhas primeiras sacadas (erradas) foi na escola, quando eu tinha uns 6 ou 7 anos. Eu podia jurar que "Presente" era meu último sobrenome. Que, quando a professora dizia meu nome quase todo, era pra eu complementar com "Presente". Nunca parava pra pensar que, então, eu estava estudando com uns 30 ou 40 parentes.

Mas, superada essa crise de identidade (foi mais um erro de julgamento), eu achava uma injustiça quando a professora pedia a tabuada.
Ela dizia:
- Amanhã, eu quero toda a tabuada "de cor e salteado".
Eu entendia:
- Amanhã, eu quero toda a tabuada "de cor e salTIAGO".
Eu olhava para os lados e pensava:
- Mas por que SÓ eu?
Puta mundo injusto, meu. Acho que é por isso que eu sei a tabuada toda até hoje, estudava direto, todo dia, no maior medo.
E dia de sexta-feira 13? Rapaz, o céu ficava preto e o diabo saía do chão, porque o que eu caía de bicicleta nesse dia não era brincadeira.
Bastava algum primo gritar:
- Tiagoooo, hoje é sexta-feira 13, vai passar "Jason" na TV!
*PAFT*, lá se vai um joelho arrastando o asfalto (daqueles com pedrinhas pontudas, especialmente preparadas por Lúcifer). Eu realmente temia aquele dia. Não sei se eu caía tanto que, numa dessas quedas, bati a cabeça e associei as coisas de modo errado. Há essa possibilidade também.
Eu também tinha uns planos de fácil teorização e de execução mais fácil ainda. Um deles era construir um pequeno avião. Pra mim, bastavam pregos, muita madeira e uma bicicleta (?). Era muito simples: eu faria um retângulo gigante de madeira e faria com que as asas fossem movidas pela bicicleta. Fazia tanto sentido que eu nem precisei desenhar. Acho que sei porque: eu era muito jovem e não tinha dinheiro pra comprar um paraquedas, de que adiantaria construir um avião?