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quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

A evolução das piadas em sala de aula


Não era só de corredorzinho e de campeonatos ligeiramente fracassados de futebol que minha turma vivia. Dentro da sala de aula, lugar em que teoricamente deveríamos ser mais civilizados, aquelas perguntas capciosas sempre existiram. Traçando um breve desenho histórico, a evolução das piadas foi mais ou menos assim:

1ª série: 
- Vou dizer a tia, que seu pai cagou na pia.

2ª série:
- Sabe quem perguntou por você?
- Quem?
- Ninguém

3ª série:
- Você pinta com meu pinto?

4ª série:
- Tem dado em casa?

5ª série:
- Se eu te der 8 tele-senas, você vende quatro?

6ª série:
- O que você faria se seu filho nascesse heterossexual?
- Ah, eu MATAVA ELE!

7ª série. Essa se aproveitava do bom caráter e do peso na consciência da vítima. Dois combinavam previamente que um deles chegaria para o colega-vítima e o mandaria perguntar ao seu comparsa "sobre o tio dele". Quando ele perguntava, a resposta era algo do tipo:
- Meu tio é tetraplégico.
- ...
Era pior do que pegadinha de Sérgio Mallandro, a pessoa queria morrer.

Já na 6ª série, o que durou até a 8ª e as séries seguintes, descobrir o nome da mãe do colega equivalia a fazer gol em final de Copa do Mundo. Quando ninguém conseguia, a criatividade ajudava, como um que tinha o apelido de "Cheetos" e, portanto, sua mãe era Dona Elma (Chips). Acabaram descobrindo o nome da minha, já que um amigo morava no meu prédio. Tava mais pra inimigo infiltrado.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Olha a manteiga!

Filhos são feitos para comprar manteiga. Eu tinha uns 12 ou 13 anos e provavelmente estava jogando Pokémon (gastei semanas e não zerei até hoje, podia ter comprado muito mais), quando recebi O Chamado. Aquela voz que grita do além, mandando você ser útil e ir fazer alguma coisa. É também chamada de mãe. Como naquele tempo o meu meio de locomoção preferido era uma bicicleta, não enrolei tanto pra ir. Talvez só meia hora. A venda onde eu iria comprar não ficava longe de casa, dava uns quatro quarteirões (400 m), mas era espaço suficiente pra tentar bater meu recorde de bicicleta. Eu nunca contava meu tempo pra saber se, de fato, superaria meu melhor tempo, mas não importa. Comprei 1 kg de manteiga - colocado num saco plástico de resistência duvidosa pendurado no guidão - e fui pra casa. Uns 100 metros depois, aquele Senna que reside em todos nós (exceto a mãe de um amigo, que andava tão devagar que eu dizia a ele que ia dar um adesivo escrito "Autoescola" a ela) despertou. Comecei a correr e, quando a barreira do som tinha sido atingida, eu ouço um "VÁÁÁP" e sinto a bicicleta mais leve. Tipo exatamente 1 kg. Olho para o guidão e me pergunto: onde estará minha manteiga, ó, céus? Eu não era nenhum gênio, mas sabia que ela tinha caído. Digamos que, se fosse época de Copa do Mundo, só precisariam de tinta verde pra pintar o asfalto. Essa é outra intuição, porque eu nem olhei pra trás pra ver o estrago. Também não voltei pra comprar mais, afinal, tenho meu orgulho. Cheguei em casa e vi que "só" tinha sujado o pé. Mero engano, eu levei foi semanas pra tirar a sujeira toda, mais do que o tempo jogando Pokémon. E, ainda por cima, tive que comer pão com requeijão naquele dia. Não que seja ruim, mas não é emocionante quanto manteiga, sabe?

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Teorias de criança


Quando somos guris, costumamos criar as mais singelas teorias. Eu, por exemplo, jurava que, quando completasse 18 anos, automaticamente teria dinheiro. Não estou falando de uns trocados pra comprar um vídeo-game, não, mas de grana mesmo, suficiente pra comprar uma casa. Ainda bem que eu não parei pra pensar na maneira com que conseguiria esse dinheiro, isso poderia não ter dado muito certo. Eu era meio inconsequente também, porque pretendia comprar justo um casarão em que o filho do dono foi morto há muitos anos. Hoje, eu moro numa casa em que, segundo minha mãe, um dos antigos donos morreu. Parece que foi no quarto dela, então acho que é daí que puxei essas bravura e coragem. Aliás, eu nem precisaria morar na casa de Gasparzinho pra tomar a quantidade de sustos que minha genitora me dá, mas isso é assunto pra uma outra hora.
Uma das minhas primeiras sacadas (erradas) foi na escola, quando eu tinha uns 6 ou 7 anos. Eu podia jurar que "Presente" era meu último sobrenome. Que, quando a professora dizia meu nome quase todo, era pra eu complementar com "Presente". Nunca parava pra pensar que, então, eu estava estudando com uns 30 ou 40 parentes.

Mas, superada essa crise de identidade (foi mais um erro de julgamento), eu achava uma injustiça quando a professora pedia a tabuada.
Ela dizia:
- Amanhã, eu quero toda a tabuada "de cor e salteado".
Eu entendia:
- Amanhã, eu quero toda a tabuada "de cor e salTIAGO".
Eu olhava para os lados e pensava:
- Mas por que SÓ eu?
Puta mundo injusto, meu. Acho que é por isso que eu sei a tabuada toda até hoje, estudava direto, todo dia, no maior medo.
E dia de sexta-feira 13? Rapaz, o céu ficava preto e o diabo saía do chão, porque o que eu caía de bicicleta nesse dia não era brincadeira.
Bastava algum primo gritar:
- Tiagoooo, hoje é sexta-feira 13, vai passar "Jason" na TV!
*PAFT*, lá se vai um joelho arrastando o asfalto (daqueles com pedrinhas pontudas, especialmente preparadas por Lúcifer). Eu realmente temia aquele dia. Não sei se eu caía tanto que, numa dessas quedas, bati a cabeça e associei as coisas de modo errado. Há essa possibilidade também.
Eu também tinha uns planos de fácil teorização e de execução mais fácil ainda. Um deles era construir um pequeno avião. Pra mim, bastavam pregos, muita madeira e uma bicicleta (?). Era muito simples: eu faria um retângulo gigante de madeira e faria com que as asas fossem movidas pela bicicleta. Fazia tanto sentido que eu nem precisei desenhar. Acho que sei porque: eu era muito jovem e não tinha dinheiro pra comprar um paraquedas, de que adiantaria construir um avião?