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quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Polícia e ladrão

São demais os perigos dessa vida. Eu esperava só precisar usar essa impactante frase no começo de uma redação de vestibular (em que tirei 9,0, por sinal, hehehehe). Mas a vida é uma brincalhona e, quando você mora num bairro sem leis, o jeito é aprender alguma arte marcial pelo youtube e escolher uma arma mais letal do que um grampeador. Tudo ficção, não fiz nada disso.
Eu estava, agora há pouco, falando com minha mãe pelo celular, pronto pra pedir um burger king, quando ouço gritos:
- SAIA DA MINHA CASA! SAIA DA MINHA CASA!


Como prostitutas não costumam atender em domicílio por aqui, abri a janela lateral e não vi nada. Com a experiência de anos de Law & Order e Loucademia de Polícia e a astúcia de um Lince, concluí: um furto qualificado em execução no condomínio ao lado. Desci correndo - ainda falando com minha genitora - e, com a coragem que Chamas da Vingança me deu, abri a porta. Apareci e não foi a mais bonita que sorriu pra mim. Foi o ladrão que estava fugindo de bicicleta mesmo. Achei que fosse alguma outra pessoa passando e virei pra olhar pra casa de onde vinham os gritos. 
É um condomínio com 4 apartamentos, 2 em cima e 2 embaixo. O maluco provavelmente tinha colocado o pé no vão do meu portão e pulado pra lá. E escolhido justamente a casa de um policial militar pra cometer seu fato típico. Eles começaram uma luta corporal. O policial jogou ele da escada e atirou uma cadeira. O elemento jogou um anão de jardim nele. Quando o policial entrou pra pegar a arma, o cara tentou fugir aparentemente pulando pra minha casa.
Pouco depois de o ladrão sair de bicicleta, o policial saiu com a arma na mão. Quando ele volta, eu pergunto o que tinha acontecido. Ele:
- Ele pulou pra sua casa! - e foi pegar o carro pra procurar.
Amigo... essas palavras mexeram comigo mais do que "quer petit gateau?". Eu tava sozinho em casa e a porta da varanda eava aberta. Saí correndo, peguei um pau e fui fechar a porta. Subi pra tentar ver lá da varanda, mas não vi nada. Tinha esquecido de acender a luz. Cadê meu treinamento nessas horas...

Durante todo esse tempo, minha mãe gritava perguntando se era aqui. Quando falei que parecia que ele tinha pulado pra cá, ela ligou pra meu tio, que mora ao lado também e em 30 segundos ele tava aqui com meu primo. Meu irmão, que tava a 4 km, chegou quase ao mesmo tempo. Sem brincadeira. 
Colhemos informações e vimos que ele não tinha pulado pra cá, do contrário teria sido complicado digitar com sangue nas minhas mãos. E ainda bem que ele viu que eu não percebi que o ladrão era ele. Vai que ele volta pra uma "queima de arquivo" e eu tenho que entrar no Programa de Proteção à Testemunha e preciso deixar crescer um bigode, mudar meu nome pra Alfredo Torres e ir morar em algum pequeno Condado de um Estado remoto? 
Agora foi que percebi, deixei de comer burger king por causa marginal. To irado.


PS: dedico este post a The King, tão ou mais destemido do que este que vos escreve.

domingo, 1 de agosto de 2010

Gangue invisível

Probabilidade é algo interessante. Pelo menos, quando você não está brincando de roleta russa ou esperando por um teste de gravidez. Uma vez, fui comprar alguma coisa no Shopping (provavelmente kopenhagen) com o carro do meu irmão. Era antigo, mas esportivo, com aquelas entradas de ar na frente e cor meio vinho. Tipo aqueles carros de Velozes e Furiosos. O estacionamento tinha umas partes cobertas e outras descobertas. Estacionei na parte coberta, ao lado de um Fusion preto, sujo e mal estacionado. Fui lá usar tudo o que eu sabia da arte de pechinchar e voltei meia hora depois. Quando chego na parte coberta, ao lado do Fusion preto, sujo e mal estacionado que usei como referência, cadê o carro?
Pensei: "Droga, roubaram o carro do meu irmão, to ferrado. E por uma gangue profissional, mal levei meia hora".
Fui lá procurar aqueles carinhas que são pagos pra rodar de moto pelo estacionamento usando roupas de guarda, mas que não são guardas e que parece que são chamados de seguranças. Bati logo a real:
- Rapaz, furtaram meu carro.
Ele:
- Certeza?
Eu:
- Aham. Eu parei ao lado desse Fusion preto, sujo e mal estacionado e agora o carro não tá mais lá. Isso deve significar alguma coisa.
- O Senhor já olhou na outra parte coberta? Tem uma depois dessa, o Senhor pode ter se enganado.
- Acho que não, hein, mas vou olhar.
Fui lá olhar e acontece que havia, após uma parte descoberta, outra parte coberta. Vi outro Fusion preto, sujo e mal estacionado. E olha lá o carro do meu irmãozinho. Só sei que entrei e fui embora, sem nem falar para o sábio guarda que tinha encontrado. Sério, qual a probabilidade de um guardinha sensato?