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domingo, 15 de agosto de 2010

Corinthians x Palmeiras


Quando você mora num Estado onde o melhor time briga pra permanecer na Série D e você não tem histórico de rasgar dinheiro ou bater na própria mãe, o normal é torcer para um time grande. Em 2005, no auge daquele time do Corinthians campeão brasileiro, que tinha Tevez e Mascherano, é óbvio que eu, lá em São Paulo, tinha que ver o jogo contra o Palmeiras. Meu primo Peu, cujo segundo time é justo o Palmeiras (1 título nos últimos 10 anos), me acompanhou nesse pacato programa.
Para ir até o Morumbimba, ops, Morumbi, tivemos que pegar 2 ônibus e 1 metrô. Num desses ônibus, tinha um gordinho/cobrador que ficava na porta lateral, com a cabeça do lado de fora, gritando os destinos. Isso numa voz grossa, porque, quando alguém entrava, ele afinava a voz e perguntava:
- Esperou muito tempo, senhor?
Acho que a calça dele tava muito apertada, não sei. Fomos os primeiros a entrar nesse ônibus e o vimos lotar. O gordinho deve ter sofrido com essa calça.
Chegamos lá em cima da hora e compramos bilhetes para as cadeiras. Peu se aproveitou da minha juventude e inocência e falou:
- Vamos para as cadeiras amarelas, no setor tal.
Só que o malandro sabia (ou suspeitava) que ali era a torcida do Palmeiras. E realmente era. Tá certo que só tinha família, mas mesmo assim.
Primeiro tempo, 0x0. No começo do segundo tempo, 1x0 para o Palmeiras. Para completar, o amendoim doce que eu tinha comprado tava uma porcaria. Que belo domingo: na torcida do inimigo, vendo meu time perder e comendo um amendoim podre.
Mas, 2 minutos depois, o Timão empatou com Gustavo Nery. Alguns minutos após, a virada!
Eu fingia que estava irado, gritando:
- Pooooorraaaaaaaaaaaa!!
Só que era só eu me sentar que dava uns discretos socos no ar de emoção. Eu já tinha largado o amendoim quando o Corinthians ainda virou e ampliou, vencendo por 3x1.
Agora, restava a volta para casa. Não tinha ônibus perto, já que as ruas eram fechadas pro jogo. Fomos andando, sem nenhuma ideia de como voltaríamos. Eu pude jurar que um cara, que passou de moto com outro, gritou algo parecido com "você vai morrer". Sei que ele só não gritou "boa noite pra você".
Já estávamos quase conformados em virar mais um número na estatística da violência no Brasil, quando ouvimos um senhor ao lado de uma kombi gritar:
- Transporte para a Paulista, 15 reais!
Peu olhou para mim, eu olhei para ele e tocou um *aleluia*. Ali estava nossa salvação.
Encontramos simpáticos corintianos lá. Um deles até teve um pequeno contratempo com a polícia:
- Mano, eu tava fumando meu beck e os "hômi" (vulgo policiais) me pegaram e tomaram meu ingresso. Mas aí eu comprei outro e voltei pro segundo tempo, ééé!
- É isso aí, mano!
- Firmeza!
Voltamos inteiros pra casa e o que pude aprender disso tudo é que, se alguém confisca sua substância ilícita no primeiro tempo, você não deve desistir de ver seu time do coração. Ah, e que não devemos comprar amendoim doce em estádio.

sábado, 24 de julho de 2010

Prenda-me se for capaz

Eu podia estar roubando, eu podia estar matando. Mas, estava apenas saindo do show de The Kooks com um amigo (Mano W.), no ano passado, em São Paulo, quando passei pelo famoso baculejo. Baculejo, na gíria das ruas, é o ato de revistar alguém em busca de armas, drogas ou um cd de Restart.
Era mais ou menos meia-noite e pouco, meu amigo dirigia e eu dava aquela força, com meu senso de direção de águia. Íamos seguir em frente, mas ele percebeu que deveria virar à direita. Só que um policial, que estava com mais outros 10 ou 11 (alguns com metralhadoras) numa blitz, viu o movimento e o achou suspeito.
- Siga por aqui!
Meu amigo seguiu, desviando dos cones.
- Acenda a luz interna, pare o carro e saiam com as mãos para cima!!
Amiguinhos, vou lhes contar. Você pode ser escoteiro há 10 anos, ajudar velhinhas a atravessar a rua por hobby ou chorar vendo Lua de Cristal, mas, numa hora dessas, você tem QUASE certeza de que é criminoso. Por pouco, não saí correndo como se não houvesse amanhã.
Saímos do carro, quando o policial pergunta:
- Os senhores têm alguma substância ilícita dentro do veículo?
(Como se eu fosse falar).
- Não, senhor.
- Posso revistar o veículo?
- Sim, senhor.
Antes, deram aquela revistada na gente. Foi tão bruta que apertou o botão do meu celular, que começou a falar sozinho com aquela voz de robô. Antes ser revistado assim do que com um certo "carinho", devo reconhecer.
O simpático policial pediu a habilitação do meu amigo, não sem antes falar pra mim:
- Vá para aquele canto!
Meu amigo foi fazer o teste do bafômetro. Deu zero, o que foi reconhecido por um outro policial:
- Parabéns, deu zero.
- Obrigado, senhor policial. Tive uma criação muito boa, devo aos meus pais, não bebo e não fumo.
- Parabéns pela sua conduta!
- Muito obrigado, tenham um bom trabalho.
Cumprimentou todos, fomos liberados e seguimos nossa jornada. Será que ajudou eu não ter falado que era corintiano? Acho que não.