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domingo, 12 de setembro de 2010

Vivendo a vida perigosamente

De vez em quando comemos um danoninho estrago e queremos experimentar um perigo. Dar uma mordida em papel alumínio com aqueeele dente obturado, assistir por meia hora ao programa de Sonia Abrão, andar de bicicleta sem as mãos (utopia pra mim), essas coisas. Mas, quando você já bebeu algumas latinhas de cerveja, sua percepção da realidade pode ficar, digamos assim, meio "super-heroica".
Era um festival de forró organizado pela Prefeitura, há uns 3 anos. Além de ser gratuito, era no mercado da cidade, onde o cheiro de peixe podre dava aquele ar de... de cheiro de peixe podre mesmo. Além disso, o forró era em junho, bem na época de chuvas. A lama rolava solta.
Eram umas 4 horas da manhã e Elba Ramalho - que tem convênio vitalício com a Prefeitura e comemorava seu 90º aniversário - já tinha mostrado toda a sua arte. Eu tava comendo pipoca (camiseta grátis e pipoca não se dispensam) e conversando com um amigo. Esse amigo, por sua vez, tinha encontrado uns amigos e um deles conversava com uma menina. Até aí tudo bem, exceto por seu namorado, ligeiramente ciumento, que deu uma voadora no garoto. Do nada, sem nem avisar. Começou a pancadaria. Além de estar numa posição privilegiada pra assistir ao confronto, eu ainda tinha a pipoca, então que ótima decisão eu havia tomado!
Falei:
- Caramba! - e ofereci pipoca ao meu amigo.
Mas aí, os tais dos aplicadores da lei, vulgo policiais militares, apareceram pra separar a briga. Foram logo entortando o braço do amigo do meu amigo e levando o coitado para um pequeno "sermão prático". Foi aí que eu, um mero estudante de 5º período de Direito na época, dei uns tapinhas no ombro do Policial e falei as 3 palavras mais arriscadas da minha vida:
- Legítima defesa, pô (quase um malandro).
Meus amigos, eu agradeço muito ao Estado de Democrático de Direito por permitir que pessoas com todos os tipos de deficiência - como as auditivas, por exemplo - possam concorrer a cargos públicos. Porque ele só podia ser surdo. Do contrário, o nome desse blog provavelmente seria "Minha enfermeira já contou essa?". 

sábado, 24 de julho de 2010

Prenda-me se for capaz

Eu podia estar roubando, eu podia estar matando. Mas, estava apenas saindo do show de The Kooks com um amigo (Mano W.), no ano passado, em São Paulo, quando passei pelo famoso baculejo. Baculejo, na gíria das ruas, é o ato de revistar alguém em busca de armas, drogas ou um cd de Restart.
Era mais ou menos meia-noite e pouco, meu amigo dirigia e eu dava aquela força, com meu senso de direção de águia. Íamos seguir em frente, mas ele percebeu que deveria virar à direita. Só que um policial, que estava com mais outros 10 ou 11 (alguns com metralhadoras) numa blitz, viu o movimento e o achou suspeito.
- Siga por aqui!
Meu amigo seguiu, desviando dos cones.
- Acenda a luz interna, pare o carro e saiam com as mãos para cima!!
Amiguinhos, vou lhes contar. Você pode ser escoteiro há 10 anos, ajudar velhinhas a atravessar a rua por hobby ou chorar vendo Lua de Cristal, mas, numa hora dessas, você tem QUASE certeza de que é criminoso. Por pouco, não saí correndo como se não houvesse amanhã.
Saímos do carro, quando o policial pergunta:
- Os senhores têm alguma substância ilícita dentro do veículo?
(Como se eu fosse falar).
- Não, senhor.
- Posso revistar o veículo?
- Sim, senhor.
Antes, deram aquela revistada na gente. Foi tão bruta que apertou o botão do meu celular, que começou a falar sozinho com aquela voz de robô. Antes ser revistado assim do que com um certo "carinho", devo reconhecer.
O simpático policial pediu a habilitação do meu amigo, não sem antes falar pra mim:
- Vá para aquele canto!
Meu amigo foi fazer o teste do bafômetro. Deu zero, o que foi reconhecido por um outro policial:
- Parabéns, deu zero.
- Obrigado, senhor policial. Tive uma criação muito boa, devo aos meus pais, não bebo e não fumo.
- Parabéns pela sua conduta!
- Muito obrigado, tenham um bom trabalho.
Cumprimentou todos, fomos liberados e seguimos nossa jornada. Será que ajudou eu não ter falado que era corintiano? Acho que não.