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segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Bronze com gosto de ouro

Esta é uma história de superação, garra e sucesso. Na 6ª série, meus colegas e eu jogávamos xadrez (que é um esporte) todo dia na sala, nos intervalos. Quando a gente era interrompido pelas aulas, eram vários os tabuleiros embaixo das carteiras, esperando pela continuação da partida. De uns 15 que jogavam, eu não era o melhor, talvez o 3º ou 4º. 

xadrez é guerra

Como todo ano, aconteciam as Olimpíadas internas e tinha um limite de atletas por sala. Se não me engano, eram 4 ou 5 pro esporte da mente (xadrez, dã). Cada um jogava 5 partidas. Se você ganhasse, levava um ponto; se empatasse, levava 0,5; e, se perdesse, levavam sua dignidade. Você pode estar pensando que não existe empate em xadrez, mas eu vou provar que isso é possível. E duas vezes. 
Logo na primeira rodada, eu peguei a única menina do torneio, que era 1º ano. Pensei: "massa, a única menina, vai ser tranquilo". Dez segundos depois: "se ela é a única menina, deve jogar muito e vai me mandar pra casa pra jogar pokémon, droga".
Começa a rodada, todos já jogando, mas nada da menina. Eu fiquei esperando, olhando pro relógio e torcendo pro W.O., quando, uns 10 minutos depois, ela aparece, suada. Tinha acabado de jogar uma partida de vôlei. Começamos a jogar e eu fui capturando rainha, torre e a galera toda. Até que a menina abandonou o jogo. Bom, pelo menos uma eu tinha ganho uma antes que me eliminassem.
Na segunda rodada, enfrentei um gordinho da 8ª série. Pra quem era 6ª, essa diferença equivalia a uns 10 anos. O jogo tava muito disputado, os dois capturando muitas peças. Numa hora, não tinha muitas peças e o jogo tinha ficado travado. Era como brincar de pega-pega num salão só com uma pilastra no meio: por mais que um corra atrás do outro, nunca vão se alcançar. Nossa, eu devia narrar jogos de xadrez.
Novamente, eu empatei, mas dessa vez com um garoto do 1º ano. Ou seja, 15 anos mais velho. Só que a situação não estava tão ruim, já que, ao final dessa terceira rodada, meus amigos - melhores do que eu - já tinham perdido uma partida ou mais cada. O sonho da medalha começava a se tornar plausível. Ui.
As estatísticas esperavam que eu empatasse o quarto jogo, mas venci um moleque da 8ª série. Tinha uma cara de futuro chefe do tráfico que era uma beleza. Eu ia para a última roda invicto. Tava com o capeta enxadrista no sangue.
Se as estatísticas me deram aquela folga, não me ajudaram muito na última partida. Novamente, peguei outro aluno da 8ª série, mas ele simplesmente tinha o apelido de Roque. Eu não sei se era por causa do nome de uma jogada, ou se era porque ele tinha o cabelo igual ao de Roque, aquele assistente de Silvio Santos. Vai ver era pelos dois motivos. Só sei que ele era o melhor do colégio e acabei perdendo. Mas, na contagem final, eu tinha ficado em 3º. É BRONZE! Fui pra galera, mas não tinha galera alguma. Só tinha um bando de garotos em crescimento que tinham passado as últimas 4 ou 5 horas jogando xadrez. Guga, um primo que tinha ido comigo e tinha 8 anos, cresceu uns 5 centímetros, só pra você ter uma ideia. 
Fui no ginásio receber minha bela medalha. Ironicamente, após ganhar e empatar com gente de pelo menos 2 séries acima, eu fiquei atrás de dois alunos da quinta série. Puta mundo injusto.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

O Dia Mundial da Vergonha

Dia 15 de outubro de 2004, eu tava no terceiro ano do ensino médio. Não sei por que, mas, uma semana antes, tive a brilhante ideia de topar fazer um poema em homenagem aos professores, já que o dia deles estava chegando e haveria uma homenagem. Acho que o fato de o pedido ter vindo de uma garota loira e de olhos azuis, que era segundo ano, ajudou um pouco. Quando ela me chamou lá fora, durante a aula, até esqueci que fazer um poema para os professores era gay pra cacete.


Acabei conseguindo escrever algo e tinha levado pro colégio. O dia estava indo bem, até que a coordenadora aparece no meio da aula para um breve anúncio:
- Hoje, no intervalo, haverá uma homenagem aos professores. Quero que vocês desçam pra dar uma força pro pessoal do 2º ano.
Qualquer motivo era excelente pra não ficar naquela sala, no intervalo, enquanto nerds discutiam ácidos e bases. Até ela acrescentar:
- Ah, e também para prestigiar nosso amigo Tiago Benitez, que escreveu algo para os professores.
Se aquele tivesse sido o dia em que eu estivesse conhecendo meus colegas, eu teria olhado para os dois lados, procurando por esse tal de Tiago. Mas, como nem tudo na vida são balas 7 belo, a única opção foi tentar não explodir de tanta vergonha. Literalmente, porque eu sinto uma ardência forte no rosto em momentos assim. Arrisco até a dizer que fico vermelho.
Como eu não tinha nenhuma briga marcada para aquele dia, desci com minha gangue até o pátio. Só que, ao chegar lá, o lugar tava lotado. Lotado não, tinha gente pendurada nos portões, brotando do chão, caravanas vindo de outros colégios. Ok, não tinha caravanas, mas tinha umas 300 pessoas fácil ali. Até tinham arrumado os bancos como se fosse uma arquibancada.
Fiquei bem atrás da fileira de bancos, a uma distância média do palco. Só que foi por pouco tempo. A menina que apresentava pegou o microfone e falou:
- Vou recitar esse poema que Tiago Benitez, do 3º C, fez. Eu queria chamar Tiago aqui pro palco.
Pensei: "pra que, minha filha? é um poema, não é uma coreografia". Mas falei:
- Não, valeu.
Infelizmente, meus amiguinhos me empurraram lá pra frente. Colocaram uma cadeira em frente ao palco, no canto direito. Sentei lá, para os mais longos 3 minutos da minha vida. No final, não sei por que, mas a galera foi à loucura.
- AEEEEEEEEEEEEEEEEEE!!
- TI-A-GÔ! TI-A-GÔ!
- TENHA FILHOS COMIGO! (posso ter exagerado, mas só nessa parte)
Eu só conseguia olhar de relance pro povo, e a única coisa que fiz foi um sinal de paz e amor (?). Quando fui me sentar, só levei tapinhas na cabeça de amigos e conhecidos.
- É  o Bilac! 
- É o Drummond!
Passei umas 5 ou 6 semanas sendo chamado de "poeteiro". Muito original. Imagine se tivesse rolado coreografia.

domingo, 19 de setembro de 2010

Em caso de incêndio...


É sempre muito bom poder contar com heróis. Geralmente, são pessoas normais, que vencem fogo e ferro (isso foi um ditado?), que colocam os interesses do seu semelhante acima dos seus. São indivíduos normais, apenas esperando pela oportunidade de salvar o próximo.
Eu ainda vivia no sofrido Mundo-dos-sem-habilitação e meu primo mais velho, The King (apelido colocado por ele mesmo), iria dar uma carona pra meu irmão, que estava com o pé engessado, e eu, depois do almoço de sábado. Seu carro tinha 2 portas, então, era preciso levantar um dos bancos da frente pra poder passar para a parte traseira. Fui o contemplado, já que é sempre bom deixar o banco do passageiro para os temporariamente inválidos.
The King deu a partida no carro, só que, de repente, sem avisar, começou a sair uma pequena fumaça de uma das entradas de ar. Provavelmente, apenas um fusível tinha queimado. Mas, foram a coragem e a determinação de The King que me impressionaram:
- SALVEM SUAS VIDAS!
- AAAAAAAA!
- AAAAAAAA!
Ele saiu correndo para a porta da casa dos meus avós, deixando meu irmão, com o pé quebrado, e eu, que não podia sair de trás. Meu irmãozinho colocou as muletas para o lado, pegou o extintor de incêndio e resolveu a parada. Acho que seu sonho sempre foi fazer isso, mas pelo menos o incêndio havia sido controlado. Depois de um excesso de tosse e de muito pó pra todo lado, ele saiu do carro, levantou o banco pra mim e fomos para o outro lado da rua. Para abraçar nosso herói.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Nada de muito concreto


Eu sou míope. Isso pareceu totalmente do nada, mas não foi. Foi apenas o primeiro de vários argumentos plausíveis para explicar um pequeno incidente que tive ano passado. Minha casa está em obras faz um tempo. Na verdade, faz tanto tempo que meu irmão e eu chamamos o pedreiro de "tio". Se você vê alguém que já estava na sua casa antes de você acordar, todo dia, por pelo menos 10 meses, essa pessoa é sua tia. Pode anotar que eu não pago pra compartilhar meu conhecimento. Mas, se você for muito gata, me manda um e-mail.
Tudo começou há um tempo atrás, na ilha do sol. Não, esse apenas foi um clássico da música brasileira. De fato, fazia sol, já que era meio-dia e meia e eu esperava meu pai com o carro, pra ir para o estágio. Eu teria que dirigir uns 12 km e tava um pouco atrasado. Meu pai chegou, parou na frente de casa e me deu a chave. Só que o pedreiro tinha feito aquela massa lá que chamam de cimento fresco e deixado no asfalto, muito perto da porta de casa. Meu pai estacionou bem em frente. Óbvio que não vi, já que faz tempo que brincar de massinha de modelar deixou de ser um hobby e aí passei por cima do negócio.
Felizmente, meu pai foi compreensivo:
- OLHA A MERDA QUE VOCÊ FEZ!
Olhei, porque sou obediente e vi a marca do pneu no asfalto. Segui em frente com a vida e parei num posto pra tirar com água (gênio). Joguei uns 5 baldes de água, mas não saía de jeito nenhum. O jeito foi dirigir até o estágio (água, cimento e sol forte, gênio) e tentar tirar com a mangueira do Poder Judiciário. Molhei e até consegui algum progresso, mas foi preciso levar num cara especializado em consertar as besteiras que pessoas míopes de óculos escuros fazem. Precisou usar uma marreta, diz a lenda. Pelo menos, não foi tão trabalhoso da segunda vez...

domingo, 12 de setembro de 2010

Vivendo a vida perigosamente

De vez em quando comemos um danoninho estrago e queremos experimentar um perigo. Dar uma mordida em papel alumínio com aqueeele dente obturado, assistir por meia hora ao programa de Sonia Abrão, andar de bicicleta sem as mãos (utopia pra mim), essas coisas. Mas, quando você já bebeu algumas latinhas de cerveja, sua percepção da realidade pode ficar, digamos assim, meio "super-heroica".
Era um festival de forró organizado pela Prefeitura, há uns 3 anos. Além de ser gratuito, era no mercado da cidade, onde o cheiro de peixe podre dava aquele ar de... de cheiro de peixe podre mesmo. Além disso, o forró era em junho, bem na época de chuvas. A lama rolava solta.
Eram umas 4 horas da manhã e Elba Ramalho - que tem convênio vitalício com a Prefeitura e comemorava seu 90º aniversário - já tinha mostrado toda a sua arte. Eu tava comendo pipoca (camiseta grátis e pipoca não se dispensam) e conversando com um amigo. Esse amigo, por sua vez, tinha encontrado uns amigos e um deles conversava com uma menina. Até aí tudo bem, exceto por seu namorado, ligeiramente ciumento, que deu uma voadora no garoto. Do nada, sem nem avisar. Começou a pancadaria. Além de estar numa posição privilegiada pra assistir ao confronto, eu ainda tinha a pipoca, então que ótima decisão eu havia tomado!
Falei:
- Caramba! - e ofereci pipoca ao meu amigo.
Mas aí, os tais dos aplicadores da lei, vulgo policiais militares, apareceram pra separar a briga. Foram logo entortando o braço do amigo do meu amigo e levando o coitado para um pequeno "sermão prático". Foi aí que eu, um mero estudante de 5º período de Direito na época, dei uns tapinhas no ombro do Policial e falei as 3 palavras mais arriscadas da minha vida:
- Legítima defesa, pô (quase um malandro).
Meus amigos, eu agradeço muito ao Estado de Democrático de Direito por permitir que pessoas com todos os tipos de deficiência - como as auditivas, por exemplo - possam concorrer a cargos públicos. Porque ele só podia ser surdo. Do contrário, o nome desse blog provavelmente seria "Minha enfermeira já contou essa?". 

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Louvado seja


A TV brasileira tem grandes gênios. É óbvio que tô falando dos ministros/pastores/ex-matadores que aparecem de madrugada, quando você tá bêbado de sono e às vezes de álcool também (brincadeira, mãe). Não me lembro em que canal era, nem ouvi o nome desse Ministro, mas o cara era tão prolixo quanto malandro. Ele estava justificando para os fiéis seus recentes gastos pra treinar outros pastores. Era um ótimo dramaturgo também, perceba a complexidade dos diálogos do seu monólogo (?):
- Eu não vou gastar um milhão, eu vou gastar DOIS MILHÕES!
A segunda voz:
- Mas você está louco, esse dinheiro não poderia ser gasto em outras coisas?
- Eu vou explicar.
Eu já tava extremamente interessado, mas ele passou dez minutos argumentando, só que não chegava a lugar algum. Falou que liderança era tudo, que não havia nada mais importante do que a pessoa humana (nisso, a câmera mudava pra plateia e você via várias cabeças concordando). Depois, disse:
- A maior pregação é pra mil pessoas ou pra uma pessoa só? PRA UMA PESSOA, IRMÃOS!
Eu já tava bem confuso nessa hora. Ele continuou:
- Eu invisto seis milhões na TV (ainda nem tinha explicado o porquê de dois milhões em vez de um, aí manda essa).
- Eu quero dizer aqui para as ovelhas: GLÓRIA A DEUS!
Todo mundo:
- GLÓRIA A DEUS!
Eu:
- Ovelhas? E os dois milhões?
Ele prosseguiu:
- Meu telefone tocou, eu tava falando com Deus. O cara disse que queria doar 1 milhão de reais pra igreja. Antes, ele tinha um caminhão velho, mas virou sócio de Deus e hoje tem uma frota que fornece caminhões para várias multinacionais. VIREMOS SÓCIOS DE DEUS, IRMÃOS!
- Caminhões? E os seis milhões?
Foi com essa que fui dormir. Sem saber o porquê dos oito milhões e com uma estranha vontade de virar sócio também.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

E os 14 meses de aluguel?

Baile é diversão na certa, a começar pelo nome. É radical, perigoso e era isso que eu procurava quando minha avó me chamou pra acompanhá-la no baile de um clube do bairro dela, em São Paulo. Chegamos lá e uma pequena surpresa: eu era a única cabecinha não-branca do lugar. Em outras palavras, eu era o único que não tinha escutado à Segunda Guerra Mundial ao vivo pelo rádio. Tudo bem que eu não esperava encontrar garotos jogando bola de gude, mas não tinha nem uma neta gatinha tinha lá. Até uma mamãe gatinha tava valendo.
Como não se pode ter tudo na vida, tive que me contentar com uma simpática senhora espanhola, de pelo menos uns 70 anos, que sentou ao meu lado. Ela tinha tentado passar batom, mas só atingiu uma área próxima e fora dos lábios. Talvez as inúmeras taças de champanhe que ela tomou tenham ajudado.
- Da onde a senhora é?
- Yo soy espanõla.
- É mesmo?
- Si, si, como nón? 
(meu espanhol é impecável, quase um Dom Quixote).
- E há quanto tempo você mora aqui?
- 20 años.
Isso com um sotaque de quem dormiu no avião um dia e, por engano, acordou no outro dia no Brasil.
Ela era um tanto amigável, e preferi acreditar que lá na Espanha as pessoas colocam a mão na perna dos outros, não importa a idade ou ocasião. Não irei no google tentar confirmar isso.
A noite tava bombando, uma outra senhora dançou, outro senhor cantou. Até que uma conhecida voz, vinda de um senhor careca, pegou o microfone:
- Antes de cantar uma música, quero comemorar o fato de que consegui esse trabalho hoje. Quando não é pela beleza, é pelo talento. Quando não é pelo talento, é pela beleza, hehehe.
Era o dublador de Seu Barriga! E ainda por cima era tirador de onda.
A senhora espanhola:
- Usted gosta de Chaves?
- Claro!
- És el dublador de Seu Barriga (não diiiiga).
Imediatamente peguei o celular pra mandar mensagem pra galera, especialmente Mano. Mas, ninguém me respondeu e eu não peguei autógrafo nem nada. A única coisa que ganhei foram umas apalpadas na perna. 

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Em que posso ajudar?

Há, mais ou menos, uma semana, quando ligo no SAC da Claro pelo celular, diz a seguinte mensagem: "Claro informa: você não possui este serviço". Mas, quando eu ligava pra outros celulares, a ligação completava normalmente. Hoje, minha mãe pegou o aparelho pra ligar pra um número qualquer e essa mensagem começou a aparecer. Fui obrigado a, antes mesmo de tomar café, ter que ligar para o SAC pelo telefone de casa e mergulhar no paciente mundo dos atendentes. O que eu nunca imaginei é que um atendente meio gago atendesse.
- Boa... tarde... em que posso ajudar?
- Eu estou com problemas de sinal.
- E-eu v-vou precisar que o senhor me confirme alguns dados. Nome, cpf, data de nascimento, telefone, cor preferida, tamanho do calçado e seus maiores medos e esperanças, senhor.
Confirmei t-tudo e aí, disse:
- Eu tento efetuar ligações e aparece uma mensagem dizendo que eu não possuo este serviço.
- U-um momento, senhor. 
Depois de um tempo:
- É-É, s-senhor, consta aqui uma p-pendência no setor financeiro.
- Mas como, se eu efetuo ligações e envio torpedos normalmente?
- É-É o que consta, senhor.
- Passe para um supervisor, por favor.
- ... ... ... (isso foi um silêncio enorme)
Depois, lá vem ele de novo:
- O-o p-problema é esse, senhor.
- Não é e você claramente não está entendendo o que eu estou falando.
- O-O s-senhor está dizendo que as informações que eu estou dando não são verdadeiras? (o gaguinho precisou repetir 2 vezes até eu entender).
- Não. Eu. estou. dizendo. que. você. não. está. entendendo. o. que. eu. estou. dizendo. e. eu. quero. falar. com. um. supervisor.
O cara devia ser treinado por Rambo, porque ele não desistia.
- M-mas, senhor, consta que a linha est-tá s-suspensa.
- Como pode estar suspensa para alguns números e para outros, não? Além do mais, quando realmente está suspensa, a mensagem que aparece é "Celular programado para não realizar ligações". A mensagem que está aparecendo é "Claro informa: você não possui este serviço".
Até fiz uma demonstração, mas o gaguinho rambo estava irredutível:
- É-É, senhor, eu falei c-com meu supervisor e ele informou o que eu p-passei para o senhor.
- ... Você é gago? (eu até tentei segurar, mas não deu)
- ...
- Eu quero o número de protocolo e o seu nome.
- O protocolo é 666 (não foi esse que ele disse, mas eu entenderia se tivesse).
- Sim, e o seu nome?
- Rogério (kkkkk)
Me diga: vou levar a sério o que alguém chamado Rogério E gago tá falando?
- P-Posso ajudar o s-senhor em ... mais alguma coisa?
- TÁ DIFÍCIL, HEIN? - e desliguei.
Que saudade que tive do gerúndio.


Nota: se você também tem Claro e passa pelo mesmo problema, eu descobri que essa mensagem só aparece quando você tenta ligar para um número que não está nos seus contatos. Pra contornar isso, adicione o número que você consegue ligar aos seus contatos.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

7 reportagens que vemos todo ano na TV

Virar apresentador de TV não é muito complicado (se você for Mariana Ferrão, desconsidere isso). Basta você ter um terno em casa e fazer a mesma entonação para todos os tipos de matérias. Porque criatividade, convenhamos, não é o forte dessa garotada. Isso sem mencionar o começo das reportagens. Não lembro em qual canal, mas uma repórter aí falava sobre algum acontecimento violento, acho que um arrastão (se você curte Axé, desconsidere isso). A matéria começava com a mulher no meio da areia, de terno feminino, claro, e a câmera vindo correndo em sua direção. Depois girava e ela começava a falar. Além da vergonha alheia na hora, também cogitei que ela pudesse ser fã de Crepúsculo. 

7 - Estradas no carnaval
Que muita gente viaja no carnaval, todo mundo sabe, mas sempre tem uma reportagem mostrando a Av. Paulista vazia em pleno fim de semana. Atire o primeiro mouse quem nunca viu uma do tipo.




6 - Preço dos ovos de páscoa
"Os ovos de páscoa tiveram um aumento de 4,4% este ano", diz o (a) repórter embaixo daqui, ó:




5 - Mega sena acumulada
A mega sena acumula em 50, 60 milhões e lá tá o (a) repórter na frente daqueeeela fila nas Casas Lotéricas. Só não entendo uma coisa: percebam que essas filas enormes e generalizadas só acontecem quando o prêmio tá muito alto. É como se a galera pensasse: "não, só acumulou em 20 milhões, muito pouco pra mim".

adoro filas

4 - Irã ameaça enriquecer urânio
Esse país é mais instável do que Dado Dollabela e Luana Piovani. Se bem que dá pra compreender, já que o presidente do país declara guerra até a um polvo. 


3 - Dado Dolabella agride namorada / vai preso / responde a processo criminal
Mulheres e socos estão para Dado assim como metáforas estão para Lula.


acho que ele entendeu errado...

2 - José Sarney envolvido em esquema de corrupção
Foi até redundante esse título.


1 - Compras de Natal
"Consumidores deixam para comprar os presentes de Natal na última hora". Pode esperar dezembro chegar.



domingo, 22 de agosto de 2010

Vivendo o sonho [Parte 2]

O primeiro jogo foi num domingo de madrugada, às 7h. Não era um incêndio no meu quarto, mas eu tive que acordar. Estádio lotado, a massa cantando e vários jornalistas em campo, fazendo entrevistas pré-jogo. Na verdade, mal tinha os pais dos jogadores (sem os quais ninguém teria como voltar pra casa) e os árbitros. Nas cabines dos narradores, só havia fios e um vazio. Que poético. 
Começa a partida, levamos 1x0, 2x0, 3x0, 4x0, 5x0, 6x0. Mas, quando todos pensávamos que levaríamos o sétimo gol, eis que Tiago, O zagueiro, apareceu. Contra-ataque de velocidade do outro time, o atacante deles correndo em direção ao nosso gol e eu vindo por trás. Foi aí que dei aquele carrinho cinematográfico e coloquei a bola pra fora. O time todo correu em minha direção, os jogadores me levantaram e me jogaram para o alto. Mentira. Eles poderiam ter feito isso, se não estivéssemos ligeiramente atrás no placar. Aliás, é um pouco contraditório eu ter falado em "contra-ataque", já que não me lembro de termos dado pelo nem sequer um chute a gol. Jogo trucando, sabe como é...
No segundo jogo, o triunfo, a vitória. O outro time só apareceu com meia dúzia de jogadores e ganhamos por W.O. Acho que a maior emoção do dia foi eu ter apostado - e ganhado - uma corrida com um companheiro de time. Depois desse jogo, cheguei a pensar que dava pra sermos campeões, afinal, eram os Jogos da ESPERANÇA.
Mas, no terceiro jogo, mantivemos a tradição estabelecida no primeiro jogo e tomamos outra goleada. Pelo menos jogamos melhor, só levamos 5x0. Fiz um pênalti (sem querer) e tivemos uns 2 expulsos. Surpreendentemente, fomos eliminados, com a insuperável campanha de: 3 jogos, 2 derrotas, 1 vitória, 11 gols sofridos, 0 gols feitos e 0 chutes dados. Se valesse o troféu o uniforme mais bonito, teria sido nosso.


quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Vivendo o sonho [Parte 1]

Em um mundo feliz em que não existiam youtubers, era comum que a maior parte dos garotos já tivesse sonhado em ser um jogador de futebol. Na sétima série (é, foi um ano agitado), eu tava no conforto do meu lar, vendo tv, quando surge uma propaganda falando: "participe dos Jogos da Esperança, monte seu time se você tem entre 12 e 14 anos". Imediatamente, pensei: 
- Hoje é sexta... hum, então dá pra eu ir pra Copa do Mundo de 2006.
Pelo menos raciocinar igual a jogador de futebol eu tinha conseguido. 
Chegando no colégio, convoquei meus colegas e alguns garotos de outras turmas pra formar essa grande seleção. Tinha que pagar uma taxa, então coletei a grana e fui no banco com minha mãe. Chegando lá, a moça do caixa pergunta:
- Qual o nome do time?
Eu nem tinha parado pra pensar nisso, veja você. Não sei por que, mas a primeira coisa que veio na cabeça foi o Gato Félix:
- Félix Futebol Clube.
Ficou bonito, reconheço. Só não sei se assistia a esse desenho.
Formamos o time, convocamos um ex-professor de futsal, conseguimos patrocinador e um belíssimo uniforme e nos preparamos para a glória. Eu jurava que a abertura seria uma semana depois, num estádio oficial daqui. Mas, como a sétima série representou o ano dos equívocos, eu estava lendo o jornal, quando vi uma reportagem sobre os Jogos da Esperança:
- Olha, meu time saiu no jornal.
4 linhas depois:
- Putz, A ABERTURA É AMANHÃ!
Claro que fiquei doidão e saí ligando para todos os meus companheiros. Quase todos tinham viajado, só dava Romário nesse time. Consegui reunir 5 integrantes, isso contando comigo e com meu irmão. No dia da abertura, só tinha times completos, com 20, 21 guris, e a gente lá, com um time de futsal sem reservas. Só pra ajudar no suor frio, tínhamos que desfilar. Os gritos de incentivo do público, quando viram só 5 garotos do time, ajudaram bastante:
- Saiam daí, seus palhaços!
- Voltem pra casa!
- HAHAHAHA!
Superamos o primeiro desafio da nossa agremiação esportiva. Agora, só faltava jogar bola.
(continua...)

domingo, 15 de agosto de 2010

Corinthians x Palmeiras


Quando você mora num Estado onde o melhor time briga pra permanecer na Série D e você não tem histórico de rasgar dinheiro ou bater na própria mãe, o normal é torcer para um time grande. Em 2005, no auge daquele time do Corinthians campeão brasileiro, que tinha Tevez e Mascherano, é óbvio que eu, lá em São Paulo, tinha que ver o jogo contra o Palmeiras. Meu primo Peu, cujo segundo time é justo o Palmeiras (1 título nos últimos 10 anos), me acompanhou nesse pacato programa.
Para ir até o Morumbimba, ops, Morumbi, tivemos que pegar 2 ônibus e 1 metrô. Num desses ônibus, tinha um gordinho/cobrador que ficava na porta lateral, com a cabeça do lado de fora, gritando os destinos. Isso numa voz grossa, porque, quando alguém entrava, ele afinava a voz e perguntava:
- Esperou muito tempo, senhor?
Acho que a calça dele tava muito apertada, não sei. Fomos os primeiros a entrar nesse ônibus e o vimos lotar. O gordinho deve ter sofrido com essa calça.
Chegamos lá em cima da hora e compramos bilhetes para as cadeiras. Peu se aproveitou da minha juventude e inocência e falou:
- Vamos para as cadeiras amarelas, no setor tal.
Só que o malandro sabia (ou suspeitava) que ali era a torcida do Palmeiras. E realmente era. Tá certo que só tinha família, mas mesmo assim.
Primeiro tempo, 0x0. No começo do segundo tempo, 1x0 para o Palmeiras. Para completar, o amendoim doce que eu tinha comprado tava uma porcaria. Que belo domingo: na torcida do inimigo, vendo meu time perder e comendo um amendoim podre.
Mas, 2 minutos depois, o Timão empatou com Gustavo Nery. Alguns minutos após, a virada!
Eu fingia que estava irado, gritando:
- Pooooorraaaaaaaaaaaa!!
Só que era só eu me sentar que dava uns discretos socos no ar de emoção. Eu já tinha largado o amendoim quando o Corinthians ainda virou e ampliou, vencendo por 3x1.
Agora, restava a volta para casa. Não tinha ônibus perto, já que as ruas eram fechadas pro jogo. Fomos andando, sem nenhuma ideia de como voltaríamos. Eu pude jurar que um cara, que passou de moto com outro, gritou algo parecido com "você vai morrer". Sei que ele só não gritou "boa noite pra você".
Já estávamos quase conformados em virar mais um número na estatística da violência no Brasil, quando ouvimos um senhor ao lado de uma kombi gritar:
- Transporte para a Paulista, 15 reais!
Peu olhou para mim, eu olhei para ele e tocou um *aleluia*. Ali estava nossa salvação.
Encontramos simpáticos corintianos lá. Um deles até teve um pequeno contratempo com a polícia:
- Mano, eu tava fumando meu beck e os "hômi" (vulgo policiais) me pegaram e tomaram meu ingresso. Mas aí eu comprei outro e voltei pro segundo tempo, ééé!
- É isso aí, mano!
- Firmeza!
Voltamos inteiros pra casa e o que pude aprender disso tudo é que, se alguém confisca sua substância ilícita no primeiro tempo, você não deve desistir de ver seu time do coração. Ah, e que não devemos comprar amendoim doce em estádio.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Olha a manteiga!

Filhos são feitos para comprar manteiga. Eu tinha uns 12 ou 13 anos e provavelmente estava jogando Pokémon (gastei semanas e não zerei até hoje, podia ter comprado muito mais), quando recebi O Chamado. Aquela voz que grita do além, mandando você ser útil e ir fazer alguma coisa. É também chamada de mãe. Como naquele tempo o meu meio de locomoção preferido era uma bicicleta, não enrolei tanto pra ir. Talvez só meia hora. A venda onde eu iria comprar não ficava longe de casa, dava uns quatro quarteirões (400 m), mas era espaço suficiente pra tentar bater meu recorde de bicicleta. Eu nunca contava meu tempo pra saber se, de fato, superaria meu melhor tempo, mas não importa. Comprei 1 kg de manteiga - colocado num saco plástico de resistência duvidosa pendurado no guidão - e fui pra casa. Uns 100 metros depois, aquele Senna que reside em todos nós (exceto a mãe de um amigo, que andava tão devagar que eu dizia a ele que ia dar um adesivo escrito "Autoescola" a ela) despertou. Comecei a correr e, quando a barreira do som tinha sido atingida, eu ouço um "VÁÁÁP" e sinto a bicicleta mais leve. Tipo exatamente 1 kg. Olho para o guidão e me pergunto: onde estará minha manteiga, ó, céus? Eu não era nenhum gênio, mas sabia que ela tinha caído. Digamos que, se fosse época de Copa do Mundo, só precisariam de tinta verde pra pintar o asfalto. Essa é outra intuição, porque eu nem olhei pra trás pra ver o estrago. Também não voltei pra comprar mais, afinal, tenho meu orgulho. Cheguei em casa e vi que "só" tinha sujado o pé. Mero engano, eu levei foi semanas pra tirar a sujeira toda, mais do que o tempo jogando Pokémon. E, ainda por cima, tive que comer pão com requeijão naquele dia. Não que seja ruim, mas não é emocionante quanto manteiga, sabe?

domingo, 8 de agosto de 2010

Dia dos Pais

Como hoje é Dia dos Pais, eis um diálogo que tive com o meu sobre cinema. Meu pai:
- Vi um filme excelente agora.
- É? Qual?
- Um sobre um policial corrupto...
(metade dos filmes são sobre um policial corrupto).
- Com qual ator?
- Um do cabelo preto, liso.
(metade dos atores têm cabelo preto e liso)
- Que outros filmes ele fez?
- Ele fez aquele do computador gigante que foi um sucesso, teve até três filmes.
Não sei como, mas fiz a ligação:
- "Matríx"?
- Não, não é o Patrick.
- MÊITRIX?
- ISSO, MÊITRIX!
- Ah, Keanu Reeves, pai.
- Esse mesmo!
Um beijo pra meu pai e Feliz Dia dos Pais, amiguinhos.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Entrando numa fria

Esse título não foi por acaso (para quem não se lembrou, clica aqui). Há alguns anos, uma grande amiga (B.), veio de Minas me visitar com seus pais. Eu, esse nativo bronzeado que caça peixes com lanças e sobe em coqueiros apenas com os pés. Era a primeira vez em que nos veríamos, então era só pressão, mamãe. Ela chegou num domingo, me mandando mensagem pra eu ir lá encontrá-la no hotel. Fui, distribuí um pouco do meu amor e batemos aquele papo esperto. Como vieram de carro, o pai disse que tavam com fome e que iriam comer em algum restaurante. Fomos andando, os pais dela na frente e a gente atrás. Ela tava me mostrando os óculos escuros que tinha acabado de comprar.
- Olha meus óculos novos.
- Ah, que...
Sabe aqueles ferros que algum gênio inventou de colocar nas calçadas, para supostamente os carros não estacionarem? Não vi e dei um tropeção (daqueles que Faustão se amarra). Só que, pra melhorar, eu não caí, mas saí "catando fichinha" por uns 2 ou 3 metros. Minha amiga e o pai riram, enquanto que sua mãe perguntou se eu tava bem.
- Ah, não foi nada.
Não foi nada mesmo, difícil foi aguentar o pai dela, a cada ferro desse, falando:
- Olha o ferro, Tiago, hahahaha.
- Hehehe.
("Hehehe", a risada oficial de quem ficou sem graça)
Só que não acabou por aí. Alguns dias depois, fomos no Habib's. Sentamos todos e a primeira coisa que fiz foi apoiar o cotovelo na mesa. NORMAL, né? Seria, só que ninguém mais fez o mesmo e a mesa virou pro meu lado. Essa ninguém comentou.
Mas, enfim, podia ter sido pior. Eu poderia ter derrubado um vaso numa loja de artesanato. Espera aí...

P.S.: Quinhas, esse post foi dedicado a você. Saudade.

domingo, 1 de agosto de 2010

Gangue invisível

Probabilidade é algo interessante. Pelo menos, quando você não está brincando de roleta russa ou esperando por um teste de gravidez. Uma vez, fui comprar alguma coisa no Shopping (provavelmente kopenhagen) com o carro do meu irmão. Era antigo, mas esportivo, com aquelas entradas de ar na frente e cor meio vinho. Tipo aqueles carros de Velozes e Furiosos. O estacionamento tinha umas partes cobertas e outras descobertas. Estacionei na parte coberta, ao lado de um Fusion preto, sujo e mal estacionado. Fui lá usar tudo o que eu sabia da arte de pechinchar e voltei meia hora depois. Quando chego na parte coberta, ao lado do Fusion preto, sujo e mal estacionado que usei como referência, cadê o carro?
Pensei: "Droga, roubaram o carro do meu irmão, to ferrado. E por uma gangue profissional, mal levei meia hora".
Fui lá procurar aqueles carinhas que são pagos pra rodar de moto pelo estacionamento usando roupas de guarda, mas que não são guardas e que parece que são chamados de seguranças. Bati logo a real:
- Rapaz, furtaram meu carro.
Ele:
- Certeza?
Eu:
- Aham. Eu parei ao lado desse Fusion preto, sujo e mal estacionado e agora o carro não tá mais lá. Isso deve significar alguma coisa.
- O Senhor já olhou na outra parte coberta? Tem uma depois dessa, o Senhor pode ter se enganado.
- Acho que não, hein, mas vou olhar.
Fui lá olhar e acontece que havia, após uma parte descoberta, outra parte coberta. Vi outro Fusion preto, sujo e mal estacionado. E olha lá o carro do meu irmãozinho. Só sei que entrei e fui embora, sem nem falar para o sábio guarda que tinha encontrado. Sério, qual a probabilidade de um guardinha sensato?